“Enquanto a humanidade enfrenta crises interligadas, o mundo reduz os instrumentos criados para respondê-las. Para muitos, isso significa alimentos mais caros, serviços interrompidos e futuro incerto”. Com essas palavras, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, defendeu “o valor fundamental da cooperação internacional” e reforçou a necessidade de uma arquitetura global capaz de conectar financiamento, conhecimento e apoio à implementação em torno de estratégias nacionais.
Os apelos foram feitos nesta segunda-feira (11.05), durante painel da Conferência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o Futuro da Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, em Paris. O encontro reúne líderes políticos, formuladores de políticas públicas, representantes do setor privado e da sociedade civil para debater os desafios e as transformações da cooperação internacional em um cenário de mudanças geopolíticas e econômicas. O foco está em estratégias para ampliar o impacto das políticas de desenvolvimento, promover economias inclusivas e fortalecer ações de combate à fome e à pobreza.
Dados do painel mostraram que a instabilidade geopolítica e econômica está convergindo com um declínio histórico na ajuda oficial ao desenvolvimento, que caiu 23,1% entre 2024 e 2025, com projeções de novas reduções. Somadas aos cortes orçamentários em organizações multilaterais, que ameaçam desencadear falhas na prestação de serviços, essas forças agravam fragilidades preexistentes e impulsionando o aumento da dívida improdutiva, da pobreza e da desigualdade.
Diante dessa realidade, o ministro Wellington Dias salientou a necessidade de não atuar mais sob premissas do passado, mas sob uma nova geração, mais prática e orientada pelas prioridades dos países, capaz de entregar resultados concretos em larga escala, com o combate à fome no centro desse esforço. “O combate à fome e à pobreza deve permanecer no centro desse esforço — não apenas por imperativo moral, mas porque é condição essencial para estabilidade, resiliência, paz e democracia”, afirmou.
Em sua fala, lembrou que, frente a esse cenário, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada durante a presidência brasileira do G20, se torna ainda “mais necessária”. “O mundo já tem conhecimento, experiências comprovadas, instuições e capacidade técnica. O que frequentemente falta é coordenação e prioridade política. Quando nossos líderes lançaram a Aliança em novembro de 2024, o mundo era um. Agora é outro. A Aliança é ainda mais necessária Precisamos usar melhor os recursos disponíveis, e para isso é preciso vontade política de fazer diferente”, disse.
Por fim, defendeu a necessidade de uma arquitetura global, com esforços integrados, ao invés de iniciativas fragmentadas, e implementação de iniciativas em torno de estratégias nacionais .
“A transformação ocorre quando proteção social, segurança alimentar, crédito, educação e geração de renda são articulados de forma integrada — e quando resiliência climática, resposta à crise e proteção social avançam juntas por sistemas nacionais, como reconheceu a Declaração de Belém na COP30”, lembrou. “Em um mundo instável, construir resiliência para os mais vulneráveis é a melhor estratégia. Um mundo com menos fome e menos pobreza será um mundo mais estável, mais pacífico e mais próspero para todos”, concluiu.
3ª Reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global
Como copresidente da Aliança Global, Wellington Dias também esteve presente, nesta segunda-feira, na 3ª Reunião do Conselho de Campeões da instância. O encontro visa avaliar os avanços alcançados e debater formas de manter o impulso no combate à fome e à pobreza em um contexto geopolítico desafiador. A reunião busca responder às mudanças no cenário da ajuda internacional voltada ao enfrentamento da fome e da pobreza.
A sessão permite que Campeões forneçam direção estratégica em três prioridades críticas: o aprimoramento da oferta de apoio nacional da Aliança, o reposicionamento da fome e da redução da pobreza como prioridades políticas na preparação para a Assembleia Geral das Nações Unidas, e o fortalecimento do financiamento integrado para avançar no progresso nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 1 e 2.
Aliança Global
Lançada durante a presidência brasileira do G20, em 2024, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza consolidou-se como uma plataforma que transforma compromissos em ação, impulsionando esforços liderados pelos países voltados à segurança alimentar, à inclusão, à geração de emprego e à melhoria das condições de vida das populações mais vulneráveis.
Até o momento, a instância reúne 217 membros, entre países, organizações internacionais, instituições financeiras, fundações, organizações da sociedade civil e instituições acadêmicas.
Assessoria de Comunicação – MDS
Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome
























