Em boa parte das portas do Residencial Viver COOHAGIG, em Viamão, há uma mulher à frente da família. Segundo representantes da Cooperativa Habitacional Giuseppe Garibaldi, 71% das moradias do empreendimento têm mulheres chefes de família como responsáveis. São mães solo, viúvas, trabalhadoras, cuidadoras e mulheres que, ao longo dos últimos anos, transformaram a busca pela casa própria em um processo de resistência, organização e recomeço.
Foi nesse cenário que o Ministério das Cidades realizou, nesta segunda-feira (15), a entrega do Residencial Viver COOHAGIG, que tem 400 unidades habitacionais, com investimento de R$ 34,2 milhões e previsão de beneficiar cerca de 1,6 mil pessoas. A agenda contou com a presença do ministro das Cidades, Vladimir Lima, e também marcou a formalização dos primeiros 65 contratos no empreendimento.
Ao todo, o residencial conta com 400 unidades habitacionais, com investimento de R$ 34,2 milhões. Mais do que a conclusão de uma obra, a entrega representou a chegada de famílias a um endereço definitivo. Para muitas delas, a nova casa significa deixar para trás o aluguel, a moradia provisória, a casa cedida por parentes ou a insegurança de não saber onde viver nos próximos anos.
“Estamos aqui com vocês, a mulherada no comando, e isso dá muito orgulho de ver”, disse o ministro Vladimir Lima. Referindo-se às que são chefes de família e titulares dos contratos com o Minha Casa, Minha Vida completou: “é para que vocês possam dizer: este aqui é meu lar, é o lar da minha família e isso aqui ninguém me tira”.
Entre as moradoras do residencial está Silvia Regina Goulart da Silva. Costureira, pessoa com deficiência física e usuária de cadeira de rodas, ela recebeu uma unidade adaptada para garantir acessibilidade. A casa fica próxima à portaria do empreendimento, conforme a prioridade destinada a pessoas com deficiência e idosos, e foi planejada para oferecer mais autonomia.
O residencial também reúne trajetórias como a de Elizete Zacharias, mãe solo e chefe de família, que saiu do Paraná para Porto Alegre com o filho de apenas seis meses nos braços. Depois de morar com uma tia e enfrentar anos pagando aluguel, conheceu o projeto por meio de uma amiga. A entrada na cooperativa abriu um caminho de esperança não apenas para ela, mas também para familiares que, com o tempo, passaram a participar do processo coletivo e também conquistaram suas moradias.
Outra beneficiária é Marlete Rosso, mulher chefe de família e viúva. Antes da casa própria, ela morava de favor com os filhos na casa de parentes e enfrentava dificuldades agravadas pela necessidade de cuidado com uma filha com deficiência. Com apoio de outras mães da APAE, buscou informações sobre o Minha Casa, Minha Vida no CRAS e chegou à cooperativa. Mesmo com problemas de saúde e tendo como renda fixa o benefício da filha, seguiu trabalhando e fazendo bicos para sustentar os dois filhos menores.
Essas histórias ajudam a explicar por que a entrega do Viver COOHAGIG teve um significado tão simbólico. Nesse contexto, o Minha Casa, Minha Vida Entidades tem papel estratégico. A modalidade valoriza a produção social da moradia, reconhece o trabalho de associações, cooperativas e movimentos organizados e fortalece o protagonismo das famílias na busca por uma casa própria. Por meio da participação comunitária e da autogestão, as famílias deixam de ser apenas beneficiárias e passam a integrar a construção do projeto habitacional.
“Hoje está aí o salto de qualidade de 400 famílias contempladas”, disse Paulo Dornelles, representante da cooperativa.
A entrega em Viamão integrou a agenda do ministro Vladimir Lima no Rio Grande do Sul, que também passou por Estrela, Lajeado e Porto Alegre. Ao longo do dia, o Ministério das Cidades realizou visitas, entregas, assinaturas e anúncios voltados à ampliação do acesso à moradia digna, à reconstrução dos municípios gaúchos, ao saneamento e à mobilidade urbana.
O deputado federal, Paulo Pimenta, lembrou da tragédia das enchentes e de que o presidente Lula fala que quando governo federal, governo do estado e prefeituras trabalham juntos, quem ganha é a população. Para ele, o Rio Grande do Sul é exemplo disse, com milhares de imóveis da reconstrução. “Cada cidade em que a gente passa, são centenas de imóveis. E a quantidade de obras, de infraestrutura, tem pontes, tem famílias beneficiadas com apoio emergencial…Então, isso é uma demonstração de que quando a gente trabalha junto, quem ganha é a comunidade, é a população”, disse Pimenta.
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Fonte: Ministério das Cidades






















